terça-feira, 16 de setembro de 2008

Entrevista: Jarbas Duarte

O Portal da Luta Livre com exclusividade entrevistou Jarbas Duarte, narrador da WWE durante o período em que a companhia de McMahon teve sua programação exibida no Brasil através do SBT.

Nessa entrevista, Jarbas fala um pouco de como foi escolhido para ser o narrador da WWE, como funcionava o seu trabalho, as brigas que rolaram no Orkut, expectativas da volta da WWE à TV aberta, e sobre o seu futuro na luta livre nacional.

Você pode conferir essa entrevista em áudio através da 6ª edição do nosso podcast, ou em texto clicando em "Leia o post completo".

Marcos Amaral (Portal da Luta Livre): A quanto tempo você trabalha com luta livre? Porque você é narrador de futebol, mestre de cerimônias, ator de comerciais, já foi ator de novelas...

Jarbas Duarte: Olha, na verdade eu transmiti pela Gazeta [emissora de TV de São Paulo] por quatro anos. Minha experiência com luta livre foi os "Gigantes do Ringue", um convite do Michel Serdan, em que fiquei quatro anos, e depois só três meses com a WWE.
O convite surgiu através do cara que produzia os "Gigantes do Ringue", que já era um amigo de rádio, e o interessante é que quando o Michel Serdan me perguntou "Você sabe narrar luta livre?", eu falei "puxa, eu narro futebol, vôlei, basquete, qualquer modalidade". Então ele disse "vamos fazer uma experiência?".

Topei, cara. E fiquei 4 anos.

Marcos Amaral: E aí surgiu o convite da WWE através da Bakus, que é a empresa de assessoria da WWE no Brasil, certo?

Jarbas Duarte: Isso, o convite foi feito pro Michel Serdan, que ele seria o comentarista das transmissões, pois ele já estava a muito tempo tentando colocar os "Gigantes do Ringue" no SBT. Aí os caras perguntaram pra ele: Tem um narrador? Conhece Alguém? Ele falou "pô, conheço! O Jarbas Duarte. Trabalhou comigo". Então fui indicado pra eles. Passei por um teste, vieram quatro americanos, inclusive o filho do [Vince] McMahon esteve no estúdio onde eu estava pra ele mesmo fazer a análise. Ele ficou à distância, mas acompanhando o trabalho.
Passei nesse teste, tinham mais quatro narradores: Dois brasileiros, e dois brasileiros que moravam nos EUA, - inclusive um que era apresentador do "Shop Tour" - e eu passei nesse teste de quatro locutores, e fui fazer um "estágio" nos EUA em Dezembro do ano passado.

Fiquei vinte e dois dias, gravando praticamente todos os dias lá nos EUA. Eles colocavam imagens de lutas antigas, eu ia narrando junto com os comentários do Michel, tinha um tradutor... Foi bem legal, uma experiência fantástica!

Marcos Amaral: E nos EUA foi onde vocês gravaram o primeiro programa, aparecendo no ar nos estúdios da WWE, certo?

Jarbas Duarte: Exatamente. Foi gravado lá nos EUA nessa "época de treinamento". O interessante é que o SBT depois divulgou que faríamos a abertura e encerramento das transmissões aqui, mas isso não aconteceu. Disseram que estavam construindo um estúdio. Houve essa história aí mas não se concretizou.

Na verdade eu acho que o SBT e a WWE não tinham a intenção de continuar. O que foi lamentável. Vou ser sincero com você: Partiu meu coração porque eu gostei do que eu tava fazendo, a maioria [dos fãs] realmente gostou. Existiam algumas pessoas que não gostavam muito do jeito que eu estava transmitindo, levando um pouco de futebol pra luta livre, daquele jeito rápido. Mas foi uma experiência muito boa. Mais prazerosa, mais elogiosa do que crítica.

Marcos Amaral: Sobre as críticas de alguns fãs: Isso chegou a ocasionar até situações "fora do comum". Agora, que um bom tempo já se passou depois disso, qual sua opinião sobre o que aconteceu?

Jarbas Duarte: Então, Marcos... Engraçado né? A internet tem uma divulgação fantástica. Eu, através do meu site, o www.jarbasduarte.com.br, faço vários trabalhos pra internet. Vou ser sincero com você: Tudo aquilo o que aconteceu, se eu parar pra pensar agora, foi por uma pessoa só. Uma só que se identificou. Eu não vou dar pano pra manga praqueles que falaram mas não se identificaram.

Um cara só, eu conversei com ele depois, entramos num acordo. Falei: Olha, se você não gostou, me fala aí o que que você acha que eu devo fazer, porque eu sou novo nisso.
Eu tenho experiência de rádio, TV, comerciais. Mas não da WWE. A transmissão da WWE é diferente de qualquer outro tipo de transmissão. Tem uma história, que o torcedor gosta de saber, e eu não estava realmente por dentro. Mas passei boa parte desses três meses estudando sobre isso. Contratei até um cara pra me ajudar, que você acompanhou na época. Falei com você: "Marcos, não estou sabendo das histórias antecipadamente", "tem alguns lutadores que não conheço a história, então me ajuda aí", e pedi ajuda.

Agora, deram umas "tacadas" que não tinham necessidade! Acho que comentários construtivos, legal. Agora, teve cara que humilhou, teve cara que queria partir pra porrada, queria me achar em algum lugar...Então não dei bola. Fiquei chateado em relação a essas manifestações, mas não dei muita bola. O que eu achava era o seguinte:
O SBT tá gostando? A WWE sabe o que estou fazendo? Pois eu mandava e-mails pro pessoal da WWE que eu conheci em Stanford (Cidade-sede da WWE) com vídeos de lutas que eu narrei no SBT, e eram só elogios!
Então falei: Peraí, eu vou ter que me preocupar é com esses dois, que são os que estão me pagando. Vou me preocupar com aqueles que estão me elogiando, mas e quem não me elogia, o que que eu fazer? Vou tentar conversar com essas pessoas, pra eles me ajudarem: "O que você não gostou? Então vamos fazer assim: Eu falo os golpes em inglês, o Michel em português, e vamos tentando fazer uma parceria!". Pelo menos foi o que eu tentei, Marcos.

Marcos Amaral: E a idéia de nomes dos golpes em português? Partiu da WWE, de você e do Michel, ou do SBT?

Jarbas Duarte: Foi uma manifestação do diretor do SBT, o Ulisses, que comandava a gente. A princípio, eles colocaram um cara chamado Eduardo Ohata, que é jornalista e profundo conhecedor da WWE. Da mesma maneira que você sabe, ele também sabe. É um apaixonado pela WWE, e tudo o que tinhamos de base era através dele. Então, se ele falasse "A", e eu comentasse que vi na internet que era "B", ele dizia "não, você vai pelo 'A'!"
Então como nós não sabíamos, não conhecíamos profundamente os lutadores, e só tinhamos uma base "global" do negócio sem saber de detalhes, eu ia na desse cara. Aí tive a oportunidade de conhecer você, aqui pela internet. Trocamos vários e-mails, e eu falei: "Marcos, o cara tá falando um negócio lá... É isso mesmo?"
Você lembra? Eu confirmava com você as informações. Não desmerecendo o trabalho do cara, mas meu, eu preciso ter uma outra base! Eu comentava sobre isso com o Michel.

Pra você ter uma idéia, o hotel no qual ficamos em Stanford, digamos que 60% dos quartos, das suítes, é da WWE. Tem lutadores lá. Tanto que no dia que chegamos no hotel, uns três ou quatro lutadores mais famosos, dos mais conhecidos estavam hospedados lá porque tinham uma reunião na WWE. E o Eduardo Ohata conhecia tudo. Falava em inglês com os caras, me contava a história deles... Então foi interessante, pois tivemos uma base. Mas o resto não sabíamos. Então aos poucos fomos pedindo pro próprio internauta, pro telespectador do SBT ter peciência.
Nossa! O que teve de gente que ligou, se manifestou via e-mail falando disso... Foi muito legal! A quantidade de torcedores da WWE no Brasil é um negócio fascinante, né?

Marcos Amaral: Não só da WWE, mas como da luta livre em geral. Como eu sempre digo, a luta livre tem "momentos de pico". Tivemos esses momentos com o "Gigantes do Ringue" em 2000, e a WWE em 2008.
E falando em "Gigantes", eles voltam ao ar agora pela CNT, mas você não está no projeto. Porque?

Jarbas Duarte: É, exatamente. Nessa nova fase do GDR, o Michel Serdan e sua equipe estão gravando aos Sábados, o primeiro programa sendo gravado na semana passada, e deve ir ao ar a partir do próximo Domingo (21 de Setembro) a partir das 14 horas pela CNT. E o que aconteceu com o Jarbas?

Veja bem, eu trabalhei vinte e seis anos em rádio. Nos últimos anos da minha vida profissional, estive na Rádio Record durante nove anos, transmitindo jogos na Terça, Quarta, Quinta, Sábado... Eu não consegui nunca ter uma família. Eu viajava muito. Aí com a chegada dessa possibilidade de voltar pros "Gigantes do Ringue", aonde fiquei por quatro anos, eu fiquei quatro anos sem ter um final de semana. Gravava nos Sábados à noite, você perde o final de semana. A minha, pra você ter idéia, lua-de-mel com minha esposa Natalie em Angra dos Reis (RJ) teve que ser interrompida. Voltei pra São Paulo pra gravar o programa. Então, sempre fui um cara "ponta firme" com o Michel Serdan. Nunca deixei ele na mão.

Nessa nova fase, nós temos feito alguns eventos, inclusive te mostrei um vídeo [Veja clicando aqui] de um evento do GDR em Belo Horizonte (MG). A gente tem viajado pra alguns pontos do Brasil fazendo esses eventos. O Michel tem me cobrado isso: "Jarbas, eu quero você [no programa]!" Mas eu falei: "Michel, não é só o cachê. Eu preciso dos finais de semana, cara."
Em Outubro eu tenho duas viagens, então falei pra ele: "Michel, por favor cara, acho que é melhor você não contar comigo. Tenta arrumar outra pessoa, porque eu estou perdendo outras oportunidades, tenho duas filhas, uma de 12 e uma de 6 anos, e eu não estou vendo essas meninas crescerem."

Isso é um algo que não chega ao valor de um cachê. Mesmo você ganhando mais. Não compensa perder essa parte boa da vida das minhas filhas.

Marcos Amaral: Então já que a WWE teve o seu momento, e você não está no novo projeto dos "Gigantes do Ringue", você ainda tem algum projeto futuro que envolva a luta livre, ou vai ficar um pouco afastado dessa área, ou pretende voltar... Como fica?

Jarbas Duarte: Na verdade, não tenho projeto nenhum. Estou inclusive aguardando uma ligação do Michel Serdan que me diga: "Jarbas, vamos gravar aos Domingos, e o seu cachê é 'tanto'." Eu estou esperando esse telefonema. Se você vai gravar aos Domingos, eu tô com você. Agora, se for gravar aos Sábados, eu tô fora. Porque gravando aos Domingos é tranquilo. Tenho o final de semana livre, tenho também uma webrádio [Confira clicando aqui], assumi um compromisso com os patrocinadores. Narro futebol na minha webrádio nas Quartas e Domingos, como você já teve a oportunidade de acompanhar... Então, já estou envolvido nisso. Parei de trabalhar em emissoras, e estou montando a minha própria webrádio, tendo um faturamento próprio meu, e estou curtindo.
Agora, com relação a eventos dos "Gigantes do Ringue", fizemos inclusive semana passada um evento pra Arcor [marca de doces]. E eu narro, brinco com o público, gosto de fazer isso. Pra esse projeto eu estou aberto. Se o Michel continuar me convidando, vou com o maior prazer. Agora, em relação à luta livre na TV, não estou vendo outra porta aberta pra mim se essas gravações não forem aos Domingos. Pode pintar alguma outra aí. Mas aos Sábados? Eu tô fora de novo.

Marcos Amaral: Pra encerrar, uma pergunta que os visitantes do Portal da Luta Livre sempre fazem por e-mail: Você acha que a WWE tem alguma chance de retornar à televisão brasileira?

Jarbas Duarte: Puxa, vou falar uma coisa pra você: Se você me perguntar sobre política, ou quem vai ganhar o Campeonato Brasileiro [de futebol] este ano, eu vou até saber te responder, com uma possibilidade de acertar. Agora, sobre a WWE, eu troquei e-mails com o SBT, com a WWE, e ninguém fala absolutamente nada. Tive alguns contatos com o diretor do escritório da WWE no Brasil, ele diz "não sei, não sei," não sabe quando, não sabe se isso vai acontecer um dia... O que é lamentável. Eu fico triste com isso, porque quando eu vejo esses e-mails que você e eu recebemos, tento responder a maioria. É lamentável. As pessoas dizem "puxa, volta? Não volta?". Não sei te falar. É impresionante, mas se eu soubesse falaria com o maior prazer que estaria envolvido nessa volta, mas não estou envolvido, não sei, e o que é lamentável é que ninguém sabe o que vai acontecer com a WWE.

6 comentários:

Anônimo 16 de setembro de 2008 às 09:45  

Muito boa essa entrevista..
Ainda bem q existe a internet pra acompanhar a WWE senão agente tava ferrado.. Tomara que um dia a WWE volte a passar na TV brasileira. mas q não seja na emissora do Filho da Puta véio castrado louco retardado do Silvio Santos... e que passe sem cortes.

Anônimo 16 de setembro de 2008 às 12:58  

Hum...pra variar hehe!
ninguem sabe o que acontecerá com a WWE

É triste pois todos sabem do potenciual de audiência que tem a luta livre ainda mais a WWE...

No país do futebol..só uma emissora domina as trasmições...então pra qualquer novidade...você vai esperar o que? ninguem arrisca no novo,querem o lucro que já é garantido...isso é fato...numca vai deixar de ter futebol na globo novela em quase todos canais...se fosse na Cultura a WWE viveria hehe!

Anônimo 16 de setembro de 2008 às 14:40  

Muito bom esse site é a primeira vez que eu entro gostei muito da entrevista agora o que deu raiva é que os cara num sabe se vai voltar a passar e se souber nem responde pra jarbas imagine pros outros!

:-(

Anônimo 16 de setembro de 2008 às 14:42  

eita saiu errado o anonimo sou eu

WWE Divas 17 de setembro de 2008 às 16:00  

Eu sempre acreditei e lutei para a WWE voltar e aco q vou conseguir isso

gustavo santiago 1 de outubro de 2008 às 19:30  

poxa a wwe tem q voltar pra sbt e fika pelo menos uns 7 anos ou ate eu fika velhinho rsrsrrsrsrs eu amo a wwe adorava ver o mysterio dando aqueles 619 adoro ainda ne pq vejo pela internet e as vezes baixo as lutas